segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cara a cara


Quero ver a sua cara, Quando um belo dia, Nos acasos desta vida, Só por ironia, A vida nos deixar, Cara a cara outra vez. Você vai estar marcada, Com certeza, Pois o tempo não perdoa E destroi a beleza, O tempo é que nos faz, Todos iguais. Você vai procurar então, Ver no meu rosto, O que ficou Do meu velho desgosto, Das coisas todas, Que você me fez. E então, Num riso descarado, Vou lhe dizer, Não tenho mais passado, Eu me esqueci de vez, Do seu amor. Quero ver o seu cabelo branco E desarrumado, Seu sorriso entristecido, Falso e desbotado, E suas mãos cansadas, De tanto lutar, Quero ver no seu olhar, Um pouco de loucura, E sentir na sua voz, Um tanto de amargura, Remorso, Pelo que você me fez. Talvez, Eu vá sentir então, Um pouco de piedade, Quando notar que a felicidade, Você não teve, A vida lhe negou, Vou rir, Meu riso debochado, Quando souber Que tudo deu errado, Que era eu por fim, Seu grande amor. Quero ver a sua cara, Quando eu for sincero, E lhe disser Que ainda lhe quero, E lhe disser Que eu ri, pra não chorar. E então, Juntar os pedaços da gente, Beijar você Apaixonadamente, E ser feliz Pela primeira vez. E então, Juntar a tristeza da gente, Beijar você Num beijo doce e quente, E ser feliz Pela primeira vez. E então, Juntar o que resta da gente, Beijar você De um jeito diferente, Fazer o amor Que a gente ainda não fez.
(Nelson Gonçalves)
De:

                          Carlos Colla e Lúcio Nascimento



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